Deus e o diabo na terra dos "ômi"...

 

* Por Júnia Turra - Colaboradora do jornal A Hora - Jornalista, Advogada, especialista em Economia pela USP, Mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP. juniaturra@googlemail.com

E .... se eu morresse amanhã, meu Deus?

Basta estar vivo para morrer. E não há imortal no plano físico. A não ser metaforicamente.

Por tantos lugares onde andei, por tantas culturas e pessoas das mais diferentes partes do planeta, com suas crenças, sua maneira de ser, certo está é Gilberto Gil na música 'Esotérico': “...não adianta nem me abandonar, porque mistério sempre há de pintar por aí... se eu sou algo incompreensível meu Deus é mais”.

Isto é razoável. Que os mais sábios são os mais humildes e todos eles, sem exceção, em algum momento demonstram fraquezas , dúvidas e sua condição menos divina, é fato.

Sábio é aquele que mais sabe que nada sabe, não?

Mas a maioria passa longe da sapiência.

O ser humano se acha mesmo.

Se não dá conta de segurar a curiosidade sobre a cor da calcinha ou da sem calcinha como inexpressivas á là Paris Hilton, imagina sobre o mistério da vida, da morte, pós-morte. Não é à toa que proliferam radicais, fundamentalistas, terroristas. Fazem tudo em nome de Deus. E como tem filósofo! Aliás, filósofo, top model, artista e chefe. Tem chefe pra tudo. Indio que é bom, nada. Todo mundo é chefe, doutor ou representante direto de Deus.. Bacharel em Direito, é doutor. Se for segurança de bacana, é doutor também. Médico é doutor. Mas desta turma quantos tem doutorado, hein?

Tem alguma coisa errada aí. Aliás está tudo errado.

Quer ver. Basta uma olhadela no livro « A Condição Judaica » do gaúcho Moacir Scliar para refletir por exemplo, que não dava para levar de um lado para o outro um povo nômade e mais um bando de porcos. E olha que não tinha gripe suína naquele tempo. Como um porquinho assado faz muita gente perder a cabeça, o jeito foi Moisés falar com Deus. E está lá naquela estrofe de Gilberto Gil: “se eu quiser falar com Deus, tenho que ficar a sós...”. Assim, Moisés não teve testemunha da conversa entre ele e Deus. E veio a máxima: carne de porco não agrada aos céus. Assunto resolvido. Deus falou, tá falado.

E quanta gente matando em nome de Deus como intérpretes oficiais da palavra Dele. E proliferam os que oram, cumprem rituais e se purificam do Bem, porque saem cuspindo marimbondos de fogo nos inocentes e só agem para o Mal.

Se Deus passou procuração para esta turba, deve ter sido via gráfica do Senado. Logo, o Agaciel e o resto da tribo dos marimbondos de fogo estão metidos na tramóia.

Esta turma tem tanto pecado que até Deus duvida. E Ele não entrou no trenzinho da alegria, não.

Aliás, começo a contestar a nacionalidade de Deus. Esta história de que “Deus é brasileiro” deve ter sido garantida às custas de algum antepassado do tal Agaciel. Certidão forjada, no mínimo. Quem nasceu nesta terra foi o Demo. Se não nasceu, conseguiu o passaporte, a cidadania, igual àquele Battisti e mais um libanês bacana, chefe do tráfico de drogas no mundo árabe e que construiu uma mansão ali pelas bandas de Vinhedo, em São Paulo, com mármore de carrara até nos muros externos da propriedade de só Deus sabe quantos hectares.

É, tem falcatrua, safadeza, corrupção, do jeito que o diabo gosta. Olha a versão “el bigodón” de chefe da tribo dando tchauzinho para a imprensa. Merecidas férias, não capo Zé Sarney?

Vai descansar no paradisíaco Maranhão, o purgatório do povo que paga a conta da família endemoniada. Ah, se fosse naquele tempo em que um fio de bigode era um contrato garantido e palavra era de honra, este coronelzinho de mau gosto, começava apanhando em casa com rolo de macarrão na cabeça. Merecia um tabefe da D. Marli, depois de ter “beiçado” aquela petista no plenário.

Vai ter mau gosto assim… no inferno!

Além de não ter moral, não tem gosto.

E deixemos as firulas de lado. Não desanimem. Deus existe, sim.

Aí vem a pergunta: mas por que tanta maldade? Por que acontecem tantas atrocidades?

Há o Bem, há o Mal. Há Deus, há o Demônio.

Basta fazer uma forcinha que você vai lembrar de muitos diabinhos, principalmente eleitos pelo povo. O povo, que não tem cidadania, que está exposto a tudo. Gente de bem, do Bem.

Deixemos o mistério como mistério, sigamos nosso caminho. Sei que nada sei, ainda que isto ao invés de ser uma barreira seja uma ponte para a reflexão, a interiorização, a busca do outro e o conhecimento. Com a devida adaptação ao cenário tupiniquim, vou lembrar aquela história do monge - que recebeu um político em seu quarto:

- “ei, eu vim de Brasilia, de jatinho particular. O mosteiro é muito bonito, horta bem plantada, mas os monges fazem tudo. Que horror? Cadê o copeiro, o cozinheiro, os agricultores, mordomo. Um monge sem serviçais? Quero meu whisky com gelo.

- Sim. Fazemos tudo. Acordamos cedo, plantamos, cozinhamos, limpamos, oramos, lemos, refletimos, dormimos cedo. O senhor quer um copo d’água?

- Não tem festa? Não tem orgia? E olha este quarto. Que horror. Uma caminha de madeira, nem è madeira de lei, um armário de loja de departamento. È isto mesmo, monge?

- Mas o senhor também não tem nada. Apenas uma mal..

- Caro , monge , venhamos e convenhamos, não vou me demorar por aqui. Não preciso de muito.

- Ah, eu, da mesma forma que o senhor estou neste mundo de passagem!


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